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quarta-feira, 25 de maio de 2011

''A Origem''


Origem do vinho



Carlos V do Sacro Império, a.k.a. Carlos I da Espanha, big boss de Juan Ramírez de Velazco (o fundador de La Rioja). Acima, o imperador – em cujas extensas terras “o sol nunca se põe” – faz pose equestre para o pintor Tiziano. A obra está exposta no Museu do Prado, Madri. La Rioja (a xará argentina) começou a ser colonizada durante seu reinado.


Naquela manhã ensolarada de 20 de maio de 1591, ao fundar um vilarejo como o nome de Todos los Santos de La Nueva Rioja, Juan Ramírez de Velazco não imaginou que estava colocando a semente de uma disputa feroz entre a La Rioja argentina e sua homônima na Espanha, a quem o conquistador quis homenagear. Mais de quatro séculos depois, as duas La Rioja disputaram ferozmente no âmbito diplomático e na Justiça a denominação de origem de seus respectivos vinhos.

La Rioja espanhola argumentou que ela é a única que pode utilizar a denominação de origem “La Rioja”. Mas ao longo da prolongada briga, deslanchada em 1976, a xará argentina defendeu-se afirmando que foi o próprio Estado espanhol dos tempos coloniais que colocou esse nome na versão sul-americana da província, e que por isso, os espanhóis deveriam se resignar.

Além disso, os argentinos afirmam que utilizam a denominação “La Rioja Argentina”, para diferenciar-se da homônima na península ibérica. De quebra, sustentam que os vinhos das duas La Rioja são diferentes, já que na Rioja espanhola a variedade principal é o Tempranillo, enquanto que na província argentina o vinho mais famoso é o Torrontés, além do Bonarda.

Dias atrás, o Tribunal de Justiça Administrativa Federal de Buenos Aires rejeitou a demanda do Conselho de Denominação de Origem Qualificada Rioja da Espanha contra os produtores vinícolas de La Rioja da Argentina.

A Justiça em Buenos Aires indicou que os vinhos riojanos argentinos usam o termo “Argentina” junto, palavra que o tribunal considera que é um “eficaz diferenciador”. Portanto, considera que não existe indução ao erro dos consumidores. Isto é, esses vinhos possuem uma espécie de nome e sobrenome: “La Rioja Argentina”.

O ministro de Produção da argentina La Rioja, Javier Tineo, celebrou a decisão dos tribunais. “É uma grande notícia”, disse ao Estado. “Se formos ver a História, a culpa deste imbróglio é dos próprios espanhóis, que colocaram esse nome nesta província. E eles também foram os que nos trouxeram essa tradição vinícola. No fim das contas, eles são como a cobra que morde o próprio rabo…”.