Translate

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Néctar Indecifrável

Néctar Indecifrável para leigo na mat´ria em decifrar a linguagem do vinho .
Essa é a ideia que passa na cabeça do cidadão quando vai ao mercado e lida com o contrarótulo que pode ou não esclarecer como o vinho foi produzido, ou simplesmente falar de seus aromas, temperatura a ser servido, e etc. Muito ou pouco , de toda forma isso não faz muita diferença .
Apesar do consumidor estar cada vez mais esclarecido sobre as características que pode ter um vinho, de eventos e cursos de formação, o mercado lida com a maioria ainda não preparada para entender um vocabulário tão elaborado.
O novo conceito do contra-rótulo, foi um passo que veio contribuir para a evolução da informação junto do consumidor.Já que no passado as garrafas tinham apenas a informação de marca, capacidade e grau do vinho. No entanto,a linguagem nem sempre é adecuada porque é muito técnica. TALVEZ UMA LINGUAGEM com informações mais perceptíveis para todos ao meu ver defino que um bom rótulo deve dizer de que região é sua origem, quais características o definem, a sua relação com as iguarias e temperatura a que deve ser servido.
O consumidor não tem, por isso, outro remédio senão informar-se mais, ler sobre o tema ou mesmo tirar um curso de formação para aprender noções básicas.


Alguns historiadores afirmam haver indícios de ter surgido durante a civilização grega. Outros assumem o século XVIII como data oficial de nascimento e difusão de um vocabulário mais cuidado, devido á necessidade sentida pelos «vendedores-provadores» franceses de hierarquizar as classes dos vinhos existentes conforma a sua qualidade. Para negociar os saborosos néctares à sua guarda, nada melhor que comunicar o prazer que se sentia ao bebê-los.
Se atualmente se pode caracterizar a riqueza crescente de um vinho bem constituído como sendo carnudo, gordo ou redondo, ou o o gosto doce crescente como sendo pastoso, meloso ou feminino, entre muitas outras metáforas gustativas do mesmo genero, no passado tudo parecia bem mais complicado. Primeiro porque as palavras utilizadas na linguagem do vinho existiam em menor número, provocando como consequência uma fraca classificação do mesmo. Depois, porque a criatividade utilizada para falar das sensações nem sempre era muito elucidativa. Que o diga Rabelais, escritor satírico e humorista francês do século XVI, que um dia, ao reunir toda a sua inspiração e erudição, classificou um dos néctares que apreciava como um vinho de tafetá!

Ao longo do s´culo XIX, o vocabulário do vinho enriqueceu-se com muitas expressões e graças a essa evolução hoje conhece-se mais de cento e oitenta para expressar as sensações da forma mais clara e objetiva possível. No entanto, pode tender a brincar com as palavras, esticando ou mesmo desviando, num sentido figurado, o seu significado. A imaginação é factor que coordenado com alguma sabedoria é necessário, já que não é só na definição da estrutura do vinho que os inexperientes se sentem perdidos. Nos aromas, a confusão também se instala. Afinal, encontrar fragrâncias como pêssego, mel, cereja, feno ou suor de cavalo num vinho parece coisa impossível. Mas não pois a maioria de nós pensamos que, por exemplo, o aroma de suor de cavalo está ligado a uma determinada região. Mas não. Ele tem a ver com as madeiras velhas utilizadas no processo de estágio do vinho que podem arrastar aromas menos positivo. Assim como os aromas as especiarias, como a noz moscada ou o tomilho, podem ser encontrados em vinhos muito maduros pelo sol e os aromas a vegetais, como o dos cogumelos, são próprios de vinhos tintos conservados durante muitos anos em garrafa.
Nos aromas frutados, muito encontrados em vinhos jovens, o perfil de substâncias aromáticas pode ser semelhante a qualquer fruto de grainha ou caroço. Quanto aos florais, têm a ver com a maceração pelicular que se dá no álcool.
Émile Peynaud, autor do livro O Gosto do Vinho, explica por outras palavras que certos vinhos brancos cheiram a flor da vinha e, por extensão, a outros aromas florais. A uva verde, pelo contrário, tem um aroma herbáceo, a folha verde. Quando se faz o envelhecimento de um vinho obtido a partir de uvas não completamente amadurecidas, o aroma verde murcha, pelo que o vinho cheira a tisana, a feno ou a ervanária.
Como curiosidade, é bom ficar esperto que nem os copos escapam a este vocabulário. Se não forem devidamente lavados e secos podem apresentar odores desagradáveis a armário ou cartão, que podem alterar as características do vinho.