Translate

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Preliminares do Vinho ...Por Nadia Jung.








     Tudo merece preliminar! Não, não é frescura do vinho, porque o vinho não é para ter frescuras mesmo, e sim, INDEPENDÊNCIA!

    Para bem degustarmos algumas condições, as preliminares entram em ação. 


Temperaturas e taças são os agentes que facilitam ou dificultam a analise sensorial. É preciso ter essas condições pois não se curte um bom vinho, ou apenas se prova, sem um copo adequado, a quantidade adequada servida , à temperatura que favorece a percepção e o prazer.

Tudo isso favorece para que a `independência` e competência em degustar um vinho se desenvolva. Sem preconceitos, sem a influência dos outros, do marketing, da publicidade, pois o conteúdo (vinho) e essa independência, é que importam .


No mundo globalizado da informação universalizada, somos cada vez mais e mais condicionados, manipulados pela mídia, pela publicidade, pelos efeitos especiais e pelas ‘’fontes’’, eu chamo de ‘’pessoas-fonte’’, formadores de opinião, líderes carismáticos, ‘’barões’’, ‘’papas’’, e toda a purpurina lançada, ou o que quer que nos seja vendido como ‘’relevante’’(hirgh!).

Na área dos vinhos, a todo momento.

Experts, conaisseurs, reconhecidos gourmets, técnicos, enólogos.... estão a dizer como DEVEMOS ou NÃO DEVEMOS beber vinhos, o que é bom e o que é mau para nós, o que esta certo e errado.

- Absurdo, não? Sempre achei, por isso me interessei por vinhos.... Por tudo isso, o mais importante então é buscar a independência de toda essa gente! Cada um pode buscar seu próprio caminho a sua própria sensibilidade e de suas preferências. Está claro que sem as taças ideais, a temperatura ideal, as quantidades adequadas de vinho, e que se leve em consideração outros detalhes, não se poderá alcançar o desejado, por isso vamos aos fundamentos!

Taças Adequadas-

É imprescindível para observar e degustar vinhos conferindo todo prazer que nos confere através das taças que nos ajudam.
Devem ser incolores, totalmente transparentes para facilitar a visão do vinho em seu aspecto natural, com sua cor real.
Taças com vidro colorido, com desenhos, lapidação ou opacos apenas atrapalham.
Devem ser leves, fáceis de manusear, e o vidro da taça, de pouca espessura. Taças com vidro espesso, pés exagerados, hastes pesadas, dificultam o ato de apreciação.
Devem ter formas apropriadas à apreciação, favorecendo-a. Devem ter hastes que facilitem o manuseio, entre o pé e o corpo, ou bojo.
No bojo, corpo ou balão deve haver um espaço suficiente para que o vinho possa ser movido e os aromas se desprendam. A boca(abertura) deve ser um pouco menor, mais fechada, a fim de permitir uma maior concentração de aromas.

Como Segurar -

Para melhor conforto de uma boa observação e que dê os movimentos necessários, é bom segurar pela sua haste,base ou pé . Pelo seu corpo fica realmente difícil realizar uma boa observação da transparência ,pois nossos dedos deixam as marcas de gordura.
A relação de temperatura do vinho pelo contato dos dedos no corpo, é puro mito. O tempo reduzido de contato não resultaria em uma alteração significativa . Questão de lógica.
Os movimentos giratórios são melhores executados se segurados pela haste. Cada um tem sua maneira, porém a melhor forma, é segurar firme e que lhe facilite bebericar.

Quantidade -
Aparentemente uma das mais prosaicas questões no mundo do vinho. Na prática a teoria é outra.
A melhor quantidade depende de muitas coisas, entre as quais a ocasião, o acompanhamento, o tipo de vinho, o tipo de taça e a vontade dos amigos .
Nada que não deriva do bom senso e da sensibilidade, que afinal, são determinantes.

Mas para ser mais especifica, em degustações de vinhos onde ele precisa ser examinado, é de 30 a 50% no máximo, da altura da taça. Menos ainda quando se está processando a analise inicial de um vinho, ou a prova em um restaurante, apenas um dedo generoso na taça, para poder inclinar a taça, girar ou agitar (olfato), sem derramar.

Mas quer acertar sempre? Sirva a taça de um terço ate a metade, sejam tintos ou brancos.
A diferença de quantidade ao servir tintos e brancos não tem razão de ser. Na realidade, tanto tintos quanto brancos tem direito de serem degustados ou apreciados do mesmo modo. Bem ao contrário de que afirmam alguns, que o branco deve ser servido em quantidade maior...

Outra lógica? Sim. Se no Brasil, ambiente tropical, devesse ser servido em menor quantidade para evitar que a temperatura aumentasse mais facilmente no copo, já que na garrafa o liquido estaria sendo mantido bem frio(no balde de gelo). Bobaaaaaaaaagem!

E o que é errado? Errado é servir demais. Não deixar aquele espaço para o aroma de desenvolver, sem contar a visualização....

Bem, é certo que o quesito temperatura é um dos aspectos mais desastrosos do serviço de vinho nos restaurantes brasileiros. Servem demasiado vinho no copo!

Mas deixo mais ''preliminares'' (temperatura) do vinho para o próximo post, senão você se cansa por aqui...































Abra-se por dentro a labareda

da garrafa aberta sobre a mesa,

redondos todos os momentos

acabam por pedir aos olhos

o pressentimento visual

para este princípio do mundo.











Oscar Bertholdo

(Poeta Morto)

















Viva o Vinho!