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sábado, 9 de fevereiro de 2013

A vinha e o vinho aparecem associados a Diónisos; Baco; Saturno e Priapo.




   E com o vinho novo, uns dias as conversas correm bem e outros mal. Porque Baco tem os seus humores ...






Saturno parece ter sido o responsável por ter ensinado aos habitantes da Itália a cultura da vinha. Saturno era deus das Sementeiras e dos Grãos, por vezes mesmo da Vinha.
É representado com a foice do ceifeiro e a podoa do vinhateiro.
Os Antigos viam na vinha e em Dionísio - deus do vinho, rodeado por um conjunto de divindades alegres e ébrias - a imagem simbólica da força da natureza cheia de seiva. Baco é a divindade romana do Vinho e da Vinha, do Deboche e da Licenciosidade.
A videira fornecia a Dióniso a sua coroa.

Segundo informação do autor latino Plínio-o-Velho, o pintor grego Zeuxis ou Zeuxippos (464 a.C. - 398 a.C) , natural de Heráclea, mas que viveu grande parte da sua vida em Atenas, considerado um dos principais pintores da Grécia Antiga, terá disputado com outro pintor, Parraso.

Para a disputa, Zeuxis pintou um cacho de uvas. Quando mostrou o quadro, dois passarinhos imediatamente tentaram bicar as frutas. Zeuxis então pediu que Parraso desembrulhasse seu quadro. Este então revelou que na verdade era a pintura que simulava a embalagem do quadro. Zeuxis imediatamente reconheceu a superioridade de Parraso, pois se tinha enganado os olhos dos passarinhos, este tinha enganado os olhos de um artista. (Plínio, o Velho, História Natural, Livro XXXV, IV).

No Museu Nacional de Arqueologia existem vários bustos de Dióniso ou Baco com o cabelo ornado de uma grinalda de cachos de uvas e parras, provenientes respectivamente da uilla de Milreu, datável do século II, e de Mértola .

Segundo o geógrafo Estrabão, grande parte da costa mediterrânica e atlântica estava coberta de arvoredo : oliveira, vinha, figueira e que a região entre o Tejo e o Cantábrico, era rica em frutos e gado.

Plínio, por sua vez, informa-nos sobre a qualidade da vide (coccolobis) na Hispânia, cujo vinho «sobe à cabeça» e que existem duas variedades, uma de bago alargado e outra de bago redondo.
`Dizem que beber vinho destas uvas  é um bom remédio para as "ddolencias de vejida" (Plínio, XIV, 29-30). Informa ainda que quando da vitória de César sobre a Hispânia «consta que pela primeira vez se beberam quatro qualidades de vinho» Plínio, XIV, 97.

Citando Hernâni Matos, num belíssimo artigo «O Vinho na mitologia Groco-Latina », em http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com/2010/07/o-vinho-na-mitologia-grego-latina.html:

Dioniso ou Baco, filho de Zeus e da princesa Semele, era o deus grego das festas, do vinho, da fecundidade, do lazer e do prazer, símbolo do desencadeamento ilimitado dos desejos e da libertação de qualquer inibição. É representado geralmente como um jovem imberbe, risonho e de ar festivo, de longa cabeleira, pegando um cacho de uvas ou uma taça numa das mãos e empunhando na outra um tirso (bastão envolvido em hera e ramos de videira e encimado por uma pinha). Tem sido sugerido o caráter fálico do tirso, no qual a pinha seria o símbolo do sémen.

Dioniso é por vezes figurado com o corpo coberto por um manto de pele de leão ou de leopardo, com uma coroa de pâmpanos na cabeça e conduzindo um carro puxado por leões. Pode igualmente ser apresentado sentado num tonel, segurando numa das mais uma taça donde absorve a embriaguez que o faz cambalear.

Dioniso é normalmente representado na companhia de outros bebedores:
- Sileno – Tutor de Dioniso, companheiro fiel e o mais velho, sábio e beberrão dos seus seguidores, que embriagado tinha o poder da profecia. Representado quase sempre bêbado, amparado por sátiros ou carregado por um burro.

- Sátiros - divindades menores da natureza com aspecto humano, cabelos eriçados, com grande cauda e orelhas bicudas de bode, pequenos cornos na testa, narizes achatados, lábios grossos, barbas longas e órgãos sexuais de proporções sobre-humanas, frequentemente mostrados em estado de erecção. Viviam nos campos e nos bosques, onde tinham relações sexuais frequentes com as Ninfas e as Ménades, que a eles se juntavam no cortejo de Dioniso, além de copularem com mulheres e rapazes humanos, cabras e ovelhas. A embriaguês era a fonte inesgotável da sua perpétua jovialidade e lubricidade.

- Ménades (ou Bacantes) - mulheres apaixonadas por Dioniso e entregues com fervor ao seu culto. Levadas à loucura pelo deus do vinho, que provocava nelas um estado de êxtase absoluto, entregavam-se a desmedida violência, derramamento de sangue, sexo, embriaguez e auto-flagelação.
Representadas nuas ou vestidas com véus ligeiros, coroadas de hera e segurando um tirso ou um cântaro, por vezes tocavam flauta de dois tubos ou tamboril e entregavam-se a uma dança livre e lasciva (orgia ou menadismo), em total concordância com as forças mais primitivas da natureza. Vagueavam por montanhas e campinas e entregavam-se aos sátiros que também integravam o cortejo de Dioniso.





Viva o Vinho!