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segunda-feira, 28 de julho de 2014

RHYS VINEYARD: Chegada, visita e o primeiro dia.



 ``Winelover`` do post do dia é o meu amigo Thales Henrique, que dá continuidade por aqui com a   visita à RHYS. Dentro de seu estilo e perfil de consumidor, enófilo do vinho ele agrega o seu olhar dentro de um resumo sobre a visita e sua experiência através de uma descrição pessoal. São muitos detalhes que eu não quis descartar, porque te transporta às cenas! Portanto, dividirei em mais de um post...


  Em 27/06/2014 - O DIA E A CHEGADA A RHYS.

 ``Ao acordar  aproveitei a manhã para ir dar uma volta e tomar café da manhã no Ferry Plaza Farmer's Market, como o próprio nome já diz é um mercado/feira localizado dentro do Ferry Building em San Francisco. Nele é possível encontrar alguns restaurantes, cafeterias, e uma imensa variedade de produtos, em sua grande maioria produtos locais, frescos e orgânicos.  Pode-se comprar frutas, doces, vinhos, pães, cervejas, flores, carnes, queijos, embutidos, peixes e etc, funciona como o Mercado Municipal de São Paulo.
Nesta manhã aproveitei para conhecer alguns produtos locais, comprar algumas cervejas artesanais para tomar a noite no hotel e como já foi dito antes, fazer o meu desjejum. Para o café da manhã enfrentei a fila para comprar alguns pães em um panificadora que trabalha somente com ingredientes orgânicos, um pouco de queijo em uma queijaria e um salame em uma loja de embutidos. Pronto, está feito o Lanche que me serviria de café da manhã e me daria sustentação para a visita a Rhys Vineyards à tarde. 
Sai do Farmer´s Market em torno de 11h e 30m e peguei o caminho rumo a Santa Cruz Mountains, lugar onde é localizado a Rhys Vineyards e que fica ao sul de San Francisco, separando a Baia do Oceano pacífico. Ao chegar ao pé de Santa Cruz Mountains, peguei uma estrada chamada Skyline Boulevard que me guiou montanha acima durante vários kilometros até chegar ao topo ou quase lá, onde encontrei um portão de metal escrito Rhys. 
Ao chegar na entrada da vinícola, interfonei e avisei sobre a minha chegada. A voz que me atendeu mandou eu entrar, e os portões de metal abriram automaticamente. Segui com o meu carro por uma pequena rua até chegar em uma construção que parece um pequeno Chateau. 
Ao descer do carro fui em direção a  construção e ela estava totalmente fechada e  parecia não haver uma viva alma na vinícola. Após quase 15 min ouço um barulho de um carro adentrando a propriedade e quando vejo era um veículo da empresa FedEX. A funcionária desta empresa desceu do carro com um pacote e adentrou o que parecia ser uma cave submersa.
Após alguns minutos a mulher saiu pelo mesmo lugar em que entrou e foi embora, e logo em seguida apareceu o “Winemaker” da vinícola, o Jeff Brinkman, que veio se desculpar dizendo que estava nos esperando em uma outra entrada. 
Logo no começo o Jeff nos perguntou se tínhamos algum compromisso ou limitação de tempo para fazer a visita, prontamente disse que não e assim começou uma visita memorável de aproximadamente 5h de duração. 

A primeira coisa que fizemos nesta visita foi presentear o Jeff, entreguei-lhe umas garrafas de espumante Brasileiro, mais precisamente Adolfo Lona Brut Champenoise. Este fato fez com que o Jeff abrisse um largo sorriso, e que brincasse, dizendo: “A minha adega é constituída basicamente de Borgonha tinto e branco, alguns Barolos envelhecidos, Champagnes e agora alguns espumantes Brasileiros”.
 Este dia realmente vai ficar marcado em minha lembrança.  

Logo a seguimos a subir uma pequena encosta e já demos de cara com o vinhedo chamado “Skyline” e que fica a poucos metros do pequeno “Chateau”. Neste vinhedos tivemos uma aula sobre os diferentes vinhedos que eles possuem, os seus solos e etc, e pudemos realmente começar a conhecer ``os valores da vinícola``, em que eles acreditam e seus objetivos.

Kevin Harvey, o dono da vinícola, era um empresário muito bem sucedido do Vale do Silício, atuava na área desenvolvimento de Softwares para computadores e fazia investimentos de capital de risco. Sendo extremamente aficionado pela região da Borgonha e pelo Norte do Rhône, ele decidiu plantar um pequena quantidade de vinhedos (Pinot Noir) perto da sua casa e vinificar uma pequena quantidade de vinho em sua garagem. Após ficar surpreso com a qualidade do vinho alcançado em sua garagem, ele realmente não esperava por isso, Kevin decidiu seguir a sua paixão, deixando de lado o seu lado empresarial no Vale do Silício e fundou a Rhys. Para isso, ele precisava mais do que os _ de acre que ele havia plantado no seu quintal (atualmente chamada de Home Vineyard), e por volta do ano de 2000, Kevin começou a procurar terras onde ele pudesse plantar novas videiras.

E o local escolhido foi justamente Santa Cruz Mountains, pois o maior objetivo de Kevin era expressar através do vinho um caráter único de cada vinhedo, e Santa Cruz Mountains é umas das regiões do mundo onde possui uma das maiores diversidades de solo. Isso se deve ao fato dela ficar localizada no local onde a placa tectônica do pacífico se encontra com a placa tectônica da América do Norte (falha de San Andreas), e isso criou diversos lotes pequenos com solos diferentes.
Como a principal filosofia da Rhys é que um grande vinho é feito no vinhedo e não na vinícola, todos os vinhedos são cultivados de maneira orgânica ou biodinâmica. Eles acreditam em um cultivo balanceado das videiras, cultivando um ecossistema com uma grande diversidade biológica ao redor dos vinhedos, há inclusive ovelhas entre as vinhas.
Kevin, ao contrário do que muitos pensam, acredita que o clima não é o fator mais importante no cultivo das vinhas, para ele o solo desempenha um papel ainda mais importante.
Todos os vinhedos da Rhys seguem a seguinte regra: solos rasos, rochosos, cheios de ferro e minerais, subsolos rochosos que tenham pouca capacidade de retenção de água e que permitam que as raízes penetrem profundamente, baixa composição de argila, clima frio e altas altitudes. Vinhedos neste estilo possuem geralmente um menor rendimento e produzem vinhos com uma mineralidade marcante, o que é uma característica extremamente importante e desejável nos vinhos da Rhys.
Kevin realmente acredita que o fato de que os Grand Crus da Borgonha se encontram no meio da encosta da Cote d’Or, não devido ao fato de possuírem clima e exposição ao sol ideais, e sim devido à melhor drenagem do solo.
É importante citar que as teorias citadas anteriormente são focadas na Pinot Noir, que é a uva que mais reflete a característica do terroir em que estão inseridas. E caso o Terroir não tenha muito o que falar, o Pinot Noir também será extremamente desinteressante.


A Rhys atualmente possui sete vinhedos, e cada um deles possuem uma geologia completamente diferente entre si, o que dá um caráter único a cada um deles, já que os vinhos da Rhys transparecem esplendidamente o terroir de onde são feitos.


No próximo post, sobre estes 7vinhedos!


Touché!