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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

RHYS VINEYARD III: Degustações dos seus Vinhos.






Continuando a resenha de Thales, com o último post sobre os vinhos degustados na RHYS e descobertas!

Após percorrer por completo esta cave submersa, fomos a uma sala fazer a degustação dos vinhos. O engraçado desta é que ela possuía um grande mapa com os vinhedos da Borgonha pendurado na parede. Ao total degustamos 9 vinhos. 

Os primeiros 2 vinhos foram degustados lado a lado, para compararmos a diferença de terroir. Um era o Alpine vineyard Chardonnay 2012 e o outro era o Horseshoe Vineyard Chardonnay 2012, ambos os vinho possuíam uma acidez vibrante, apresentavam uma grande capacidade de envelhecimento, e não eram flácidos e cheios de madeira como muitos Chardonnay americanos. Segundo Jeff eles irão demorar em torno de 12 anos para alcançar o seu apogeu e irá permanecer durante muitos anos nesta fase. O Alpine apresentava um nariz mais cítrico, notas florais e maça. Já o Horseshoe apresentava também notas florais, mas também notas rochosas e pêra, ambos os vinhos possuem um final extremamente longo. Jeff também comentou que eles passam por uma fermentação maloláctica extremamente longa. 






Após estes 2 vinhos, Jeff resolveu abrir um vinho branco mais antigo , e abriu uma garrafa do Horseshoe Chardonnay 2007. Este vinho não foi comercializado, pois na época tanto o Kevin quanto o Jeff achavam que esse vinho não estava a altura do rótulo da Rhys, que não havia uma boa acidez e conseqüentemente não teria capacidade de envelhecimento. Com o passar dos anos viram que estavam errados e que o vinho esta envelhecendo bem e claramente possui muitos anos pela frente. 
Ao degustar o vinho, realmente percebi que ele havia estrutura sim para envelhecer, a acidez não era tão pungente como os anteriores, mas era excelente. No nariz apresentava as mesmas notas de rocha que o da safra 2012 (provável característica do terroir), mas também apresentava notas de evolução e frutas mais doces. Foi produzido somente 1 barril, e possuem poucas garrafas sobrando, o Kevin acabou tomando quase tudo. 

O próximo vinho foi o Family Farm Pinot Noir 2012, nesta safra foi utilizado 60% de cachos inteiros nesse vinho. O vinho possuía notas de frutas vermelhas e negras, toque herbáceo proveniente do uso de cachos sem serem desengaçados e notas terrosa. Possui um corpo médio, uma boa acidez e um final longo. Como já foi dito antes, realmente neste vinho é possível perceber mais facilmente as notas provenientes do engaço e Jeff atribui isso ao solo mais profundo e argiloso. Tem uma bela estrutura e um bom potencial de guarda.  



O próximo vinho foi o San Mateo Pinot Noir 2012, neste vinho também foi utilizado 60% de cachos inteiros e 40% de madeira nova. Possui uma excelente acidez e um final longo. O nariz ainda primário com notas de frutas vermelhas,negras e algumas especiarias, mas que já apresenta uma certa profundidade e esse vinho claramente irá evoluir bem. O San Mateo 2012 é uma mistura de 60% Family Farm, 30% Horseshoe e 10% Alpine.

O terceiro Pinot Noir do dia foi o Bearwallow 2012 neste vinho foi utilizado em torno de 10% de carvalho novo e foi fermentado com 20% de cachos inteiros. Possui uma acidez mais pronunciada que os anteriores,e um final extremamente longo. O perfil aromático puxa mais para frutas negras, notas de rochas lascadas e um certo floral.



Depois Jeff apareceu com o Alpine Pinot Noir 2012 e o Horseshoe Pinot Noir 2012 para tomarmos lado a lado. Ambos estavam fechados, mas o alpine estava um pouco  mais aberto e  elegante, já o Horseshoe claramente mais austero e fechado. Ambos possuíam uma grande estrutura, uma acidez vibrante e um corpo pesado.  O horseshoe no nariz apresenta frutas negras, especiarias (“Asian Spices”), notas florais (Violeta), rochas lascadas e terroso. Todos os vinhos da Rhys apresentam uma mineralidade marcante, mas o Horseshoe realmente apresenta uma nota salina (Jeff chama de “Soy sauce”). Já o Alpine se apresenta um pouco mais rico e hedonístico, com notas de frutas vermelhas, especiarias e bastante floral. Ambos são grande vinhos e devem ficar anos intocados na adega, o meu vinho favorito foi o Horseshoe. Achava que nunca diria isto, mas são do nível dos melhores Grand Crus da Borgonha (isso falando dos melhores produtores, dos outros eles passam em cima). 



Por último, tomamos o Horseshoe Syrah 2009. Ao abrir este vinho, Jeff nos contou que este Syrah sofreu ataque de Botrytis, fato extremamente raro e incomum, pois Syrah é uma uva que não é propícia ao ataque deste fungo. O próprio Jeff nunca havia visto isto antes e ficou extremamente surpreso com o ocorrido. Este vinho foi fermentado utilizando 100% de cachos inteiros, e no nariz possui muita pimenta, fruta negra, couro e tostado. Na boca possui uma acidez média, corpo pesado e taninos macios. Também possui um ótimo potencial de guarda. Um excelente Syrah. 

Ao fim desta visita pude perceber o motivo da grande adoração dos Vinhos da Rhys pelo povo extremamente viciado pela Borgonha (um dos raros produtores de Pinot Noir fora da Borgonha que esse povo toma). E o pôrque dos seus vinhos estarem sendo aclamados também por críticos sérios e especializados em Borgonha como o Allen Meadows (Burghound), John Gilman (View from the cellar) e etc. É extremamente raro ver vinhos do novo mundo que expressem tão bem o seu terroir, todo mundo tenta, mas pouquíssimos conseguem. 

Finalmente encontrei um Pinot Noir do novo mundo que realmente o furor corresponde com a realidade, começava a achar que um grande Pinot Noir era só encontrado na Borgonha (apesar de ser uma heresia chamar de Pinot Noir, lá toma-se Musigny, Chambertin, La Tâche, La Romanée e etc) . Esta visita realmente vai ficar gravado na minha memória. 






Por Thales Henrique

Touché!