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domingo, 15 de novembro de 2015

Cutelaria: VII SALAO PAULISTA DE CUTELARIA 2015




Quem é Silvana Mouzinho, no mundo da cutelaria além de organizadora dessa edição na capital paulista.


 Entrevista com Silvana Delcorso Mouzinho 

1 – Como a senhora iniciou na cutelaria?

Fui convidada, por uma diretora a quem secretariei, a trabalhar na área administrativa de uma importadora  de cutelaria.  Foi através deste trabalho que me apaixonei pelas facas, fiz meu primeiro curso e tive a oportunidade de ter minha primeira oficina nas dependências da empresa, uma grande ajuda.

2 - Quando foi?

Em 1995 fui admitida na empresa, em 2002 fiz meu primeiro curso e em 2005 me desliguei da empresa para me dedicar à cutelaria artesanal.

3 – Qual foi o primeiro trabalho?

Vendas, preparação e despacho de pedidos, controle de estoque e financeiro.

4 – Qual a sua especialidade? Que materiais utiliza nos cabos das facas?
Gosto de facas pequenas que possam estar presentes no nosso dia a dia, porém não me sinto especialista nesse ou naquele tipo de faca.  Tenho trabalhado muito o aço carbono, por ele ser forjável mas não dispenso uma boa faca em aço inox, principalmente pensando no público que busca praticidade e não quer ficar tendo preocupações com a manutenção das suas facas.  Quanto aos materiais para empunhadura gosto muito dos naturais como chifres de búfalo, carneiro e veado. Madeiras estabilizadas também me agradam bastante.
5 –  Quantas facas estima já ter produzido?

Por volta de 250 peças

6 – Dá para citar alguma delas em especial?

Com certeza a primeira Sorocabana que fiz este ano

7 – Qual a faca mais cara que já produziu?

Essa é uma pergunta interessante, pois nem sempre a mais cara que se produz é a que se vende pelo maior preço.
O preço da faca está ligado aos materiais e técnicas utilizadas.
A mais cara produzida foi em aço damasco com madeira estabilizada com espaçadores em marfim, chifre de búfalo, coral e alpaca, porém não foi a que atingiu o maior valor de venda.


8 - E a que levou mais tempo para ficar pronta?
Foi a Sorocabana


9 - Em média, em quanto tempo produz uma peça? Trabalha sozinha ou tem assistentes? Quantos?
Difícil responder pois trabalho sozinha e além da produção das facas organizo o Salão Paulista de Cutelaria, que apesar de ser um evento anual, tem que ser trabalhado todos os dias.

10 – Como a senhora vende as facas que produz? Em leilões pela internet, em feiras ou em loja própria? Qual é o perfil do comprador de suas facas? Vende as facas no Brasil e também para o exterior? Quais os mercados que já conquistou?
Vendo em salões de cutelaria e pela internet, por  postagens em redes sociais e fóruns de cutelaria.  Meus primeiros clientes foram os da empresa onde trabalhei; depois sai a desbravar o mercado, afinal uma mulher num mercado tipicamente masculino, eu tinha que tirar alguma vantagem disso, não é mesmo, então trabalhei o ineditismo de facas por mãos femininas ... O mercado brasileiro e americano são os que mais atuo, porém estive na Argentina neste ano e obtive bons resultados.


11 - Quais os prêmios que já conquistou?

Sem prêmios.

13 - Como a senhora vê o momento atual da cutelaria artesanal brasileira?

Bem diferente o que eu conheci.  Na ocasião em que trabalhava na importadora os cuteleiros artesãos faziam facas inspirados em modelos industriais e vendiam a um preço bem mais baixo, salvo exceções como Bob G que já tinha um bom mercado em São Paulo.
Hoje grande parte dos cuteleiros tem identidade própria, cria seus trabalhos sem estar preso a modismos e o mercado também está dando sinais de conhecimento no assunto.  Para os mais apaixonados pela arte torna-se relativamente fácil reconhecer o autor ao olhar uma faca e se não for dele certamente de algum aluno.
Continuamos a consumir cutelaria industrial e a artesanal está ganhando cada vez mais espaço tanto como ferramenta de trabalho e também peça de arte.
O momento da cutelaria brasileira é muito feliz.  Temos um brasileiro, Rodrigo Sfreddo, certificado Mestre pela Associação Americana de Cutelaria e mais dois outros, Dionatam Franco e Sandro Boeck a caminho deste título.  Outros tão talentosos quanto, porém que se dedicam a outra linha de trabalho onde a certificação não lhes é necessária também compõem o quadro da cutelaria artesanal brasileira, dentre vários deles podemos citar: Gustavo Thomé Cecchini,  Jacinto Melo, Ricardo Lala e muitos outros ...
Não posso deixar de mencionar o brasileirio Flávio Ikoma, designer da CRKT, empresa americana, uma das patrocinadoras do Blade Show, maior evento de cutelaria do mundo.

14 - Tem alguma estatística sobre o setor? Dá para arriscar um número de cuteleiros? Que estados se destacam na cutelaria?

Citar número de cuteleiros é uma tarefa difícil, mas com certeza o estado que mais se detaca é o Rio Grande do Sul.  A faca faz parte da indumentária do gaúcho.


15 - Quando será o próximo Salão Paulista de Cutelaria? Onde será realizado? Qual a expectativa para essa edição em relação ao número de cuteleiros e visitantes? Como foi o evento anterior? Qual é a programação do Salão? Está prevista a participação de algum cuteleiro do exterior?

A próxima edição do Salão Paulista de Cutelaria será nos dias 07 e 08de novembro na Casa de Portugal, localizada à Avenida Liberdade nº 602, no bairro da Liberdade na cidade de São Paulo.
Ainda não temos o número exato de cuteleiros, mas certamente nesta edição passaremos de 100 expositores.
Está prevista a participação de cuteleiros de todas as partes do Brasil, quatro da Argentina, uma cuteleira da Bélgica e um cuteleiro da França.  Estes dois últimos participam do evento pela segunda vez.



https://vimeo.com/145780995


E, acima o vídeo de como foi o evento nos dias 07 e 08 de Novembro.



Touché!